Azeite: do Alentejo para o Mundo

Manuel Norte Santo √© o exemplo de um jovem que d√° a cara por um projeto de sucesso na internacionaliza√ß√£o, no caso, no setor do azeite. Falamos da EMS Torrado, que det√©m as marcas Saloio e Santa Maria. Em entrevista √† revista ‘Jovens Agricultores’ N.¬ļ 133, da AJAP, fala-nos da produ√ß√£o, das marcas de sucesso e da import√Ęncia da exporta√ß√£o para pa√≠ses como EUA, Canad√°, Brasil, Austr√°lia, Alemanha, Holanda, Pol√≥nia e tamb√©m alguns mercados asi√°ticos como Taiwan, Hong Kong, Macau e Timor.

Texto: Ana Clara/AJAP

Manuel começa por nos explicar toda a estrutura empresarial da qual faz parte: a empresa EMS Torrado pertence a um grupo familiar (família da qual faz parte), que detém três empresas ligadas ao setor oleícola. A empresa Santolive, que se dedica à exploração agrícola, a SICA -Sociedade Industrial e Comercial de Azeites, Lda. que possui dois lagares de produção e um complexo de embalamento, e depois a EMS Torrado que detém as marcas comerciais Saloio e Santa Maria e que lida com a comercialização e exportação do azeite.

‚ÄúTrabalhamos, assim, toda a verticalidade do neg√≥cio, desde o olival at√© √† comercializa√ß√£o do produto final embalado‚ÄĚ, explica o Jovem Agricultor.

A empresa, situada no Alentejo, conta com cerca de 230 ha de olival na zona de Serpa em produção intensiva e superintensiva, de variedades Galega, Arbequina, Picual e Hojiblanca. Os lagares estão localizados em Serpa e Estremoz, e o embalamento está também em Estremoz.

Na campanha 2021/2022 ‚Äúproduzimos cerca de 1 milh√£o de quilos de azeite, sendo que embal√°mos para exporta√ß√£o perto de 700¬†000 quilos‚ÄĚ, refere, sendo que os principais mercados de exporta√ß√£o s√£o os EUA, Canad√°, Brasil, Austr√°lia, Alemanha, Holanda, Pol√≥nia e tamb√©m alguns mercados asi√°ticos como Taiwan, Hong Kong, Macau e Timor.

‚ÄúO nosso grande objetivo √© consolidar todos estes mercados que j√° trabalhamos, mas sobretudo expandir a nossa marca e promover o consumo de azeite para novos e diferentes mercados‚ÄĚ, afirma Manuel Norte Santo.

O seu papel na empresa, sendo uma empresa familiar, torna-se bastante diversificado e multifacetado, com responsabilidades no domínio comercial, estando ligado à internacionalização da marca e gestão de clientes externos, embora também participe de forma ativa em todo o processo de produção.

Manuel Norte Santo.

Como tudo começou

A empresa conta com uma hist√≥ria de mais de 140 anos no setor. O fundador, Manuel da Silva Torrado, desde 1878, que comercializava nos mercados da cidade de Lisboa azeite produzido nas zonas rurais envolventes, sendo a personifica√ß√£o do que naquela √©poca se chamavam de ‚ÄėSaloios‚Äô.

‚ÄúDesta representatividade de um povo, nasceu a nossa marca Saloio. Anos mais tarde, o neg√≥cio come√ßou a desenvolver-se e o azeite Saloio come√ßou a ser exportado para as comunidades portuguesas que se come√ßavam a implementar um pouco por todo o mundo. Come√ßou a ser ‚Äėobrigat√≥rio‚Äô para um emigrante portugu√™s ter na sua casa uma lata de Azeite Saloio, e esta foi base da nossa expans√£o. Estes foram os nossos primeiros ‚Äėcomerciais‚Äô e grandes representantes da nossa marca. De seguida, foi necess√°rio um trabalho de consolida√ß√£o da marca e expans√£o do h√°bito de consumo de azeite para mercados menos habituados a esta tradi√ß√£o, trabalho esse que ainda continua‚ÄĚ, recorda o respons√°vel.

Marcas Saloio e Santa Maria

A marca com maior notoriedade √© a Saloio, que como refere Manuel Norte Santo, tem muita hist√≥ria e tradi√ß√£o adjacente. ‚ÄúSendo uma marca que retrata um povo anci√£o e trabalhador, reflete muita tradi√ß√£o e portugalidade, carater√≠sticas estas que queremos continuar a comunicar‚ÄĚ, frisa.

Nos mercados internacionais, o azeite Saloio √© visto muitas vezes como um s√≠mbolo de Portugal e procurado por quem quer relembrar o nosso pa√≠s e os nossos sabores. ‚ÄúEsta √© a nossa estrat√©gia a n√≠vel internacional, continuarmos conectados a Portugal. Consideramos que a melhor forma de promovermos o nosso produto, √© primeiro que tudo promover Portugal e o azeite Portugu√™s‚ÄĚ, garante.

A marca com maior notoriedade é a Saloio, que tem muita história e tradição adjacente.

E adianta: ‚Äúo facto de trabalharmos todos os processos de produ√ß√£o, desde o cultivo do olival at√© ao embalamento do produto, tamb√©m nos oferece uma vantagem competitiva muito importante, que √© o controlo da origem e rastreabilidade do produto. Esta quest√£o √© cada mais determinante para os consumidores e o azeite Saloio transparece essa prote√ß√£o‚ÄĚ.

A exportação representa mais de 70% do negócio, sendo alguns dos mercados os EUA, Canadá, Brasil, Austrália, Alemanha, Holanda, Polónia e também alguns mercados asiáticos como Taiwan, Hong Kong, Macau e Timor. Os EUA, Canadá e Brasil são os mercados com maior peso na atividade da empresa.

Inovação

E de que forma inovam diariamente? √Ä pergunta, Manuel Norte Santo responde: ‚Äúestamos sempre em busca dos melhores e mais eficientes processos de inova√ß√£o. Atualmente, toda a nossa cultura de olival est√° em m√©todo intensivo e super intensivo de forma a otimizarmos e conseguirmos implementar todas a inova√ß√Ķes agr√≠colas nos diversos processos da cultura, seja na colheita, poda, tratamentos, etc.‚ÄĚ.

Na extra√ß√£o de azeite, acrescenta, ‚Äútamb√©m procuramos implementar os processos mais modernos e inovadores para que numa extra√ß√£o a frio seja poss√≠vel retirar o melhor azeite poss√≠vel, sem perdas de rendimento. Todo o nosso mecanismo de extra√ß√£o √© tamb√©m alimentado pelo caro√ßo da azeitona, promovendo uma economia circular. Potencializar esta economia circular √© tamb√©m uma das nossas inten√ß√Ķes, sendo que fazemos parte de um projeto de investiga√ß√£o, juntamente com outros intervenientes do setor, para valorizar os excedentes gerados na produ√ß√£o, numa perspetiva de que res√≠duos s√£o recursos‚ÄĚ, afirma o respons√°vel.

E adianta que tamb√©m ‚Äúestamos sempre atentos √†s novas tend√™ncias de consumo, que valorizam cada vez mais os produtos diferenciados e exclusivos. Nessa perspetiva, tamb√©m temos desenvolvido cada vez mais refer√™ncias de azeite monovarietais, biol√≥gicos e de gama premium‚ÄĚ.

Sobre a internacionaliza√ß√£o das empresas portuguesas, o jovem empres√°rio considera que a mesma ‚Äúdeve passar pela uni√£o e pelo desenvolvimento de campanhas e a√ß√Ķes conjuntas de promo√ß√£o‚ÄĚ.

‚ÄúA melhor forma de competirmos no mercado externo √© trabalharmos todos os produtos portugueses de forma conjunta, trocando sinergias e experi√™ncias, para que consigamos sobressair no mercado global e ganhar notoriedade como pa√≠s produtor de produtos de qualidade superior. Sou um adepto da promo√ß√£o gen√©rica e depois trabalhar a especificidade. Portugal est√° a captar cada vez mais interesse a n√≠vel global, seja por raz√Ķes tur√≠sticas, desportivas, gastron√≥micas, etc., portanto, √© aproveitar essa tend√™ncia e exportarmos a marca Portugal e o que de bom √© produzido por c√°‚ÄĚ, salienta.

A empresa, situada no Alentejo, conta com cerca de 230 ha de olival na zona de Serpa em produção intensiva e superintensiva, de variedades Galega, Arbequina, Picual e Hojiblanca.

Enquanto jovem agricultor, Manuel Norte Santo deixa uma mensagem, incentivando a nova gera√ß√£o a investir na nossa agricultura e nos produtos que Portugal, ‚Äúpelas suas carater√≠sticas √ļnicas, consegue produzir. √Č tamb√©m importante que n√£o tenham receio ou hesita√ß√£o em investir no desenvolvimento de uma marca portuguesa, para que o valor acrescentado decorrente dessa marca, seja retido em Portugal e pelas empresas portuguesas‚ÄĚ.

No setor da olivicultura em particular, recorda, ‚Äúestamos a viver um per√≠odo de grande transforma√ß√£o e inova√ß√£o nos m√©todos de cultivo, estando Portugal na vanguarda dessa transforma√ß√£o, aumentando em larga escala a sua produtividade‚ÄĚ. ‚ÄúNesta conjetura, considero que √© uma grande oportunidade para os jovens investirem, apostarem e crescerem nesta √°rea‚ÄĚ, conclui.