Vice-Presidente da CCDR Norte destaca papel dos jovens agricultores na revitalização dos territórios rurais

O Vice-Presidente da CCDR Norte, Paulo Ramalho, destacou, em entrevista à Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, a importância da agricultura para a coesão territorial, a preservação da biodiversidade e a prevenção dos incêndios rurais. Defendeu ainda uma maior valorização económica da atividade agrícola, incluindo a remuneração dos serviços de ecossistema, e o reforço das cooperativas e organizações de produtores.

A entrevista foi realizada à margem do I Encontro de Jovens Agricultores de Trás-os-Montes, que decorreu a 23 de outubro, em Macedo de Cavaleiros, numa organização conjunta da Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) e da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros.

Paulo Ramalho começou por destacar o dinamismo da Região Norte na instalação de jovens agricultores. Das cerca de 2.000 candidaturas aprovadas em Portugal, 1.090 são da Região Norte, das quais 397 correspondem a Trás-os-Montes.

Estes números evidenciam o interesse das novas gerações pela atividade agrícola e o potencial de renovação geracional de uma região onde a agricultura continua a desempenhar um papel determinante na economia e na fixação de população.

Agricultores devem ser remunerados pelos serviços de ecossistema

Na entrevista à AJAP, o Vice-Presidente da CCDR Norte sublinhou que a importância da agricultura ultrapassa largamente a produção de alimentos e a criação de riqueza.

«O agricultor não é só um mero produtor de alimentos, não é só um ator económico, é também um ator muito importante na preservação e promoção da biodiversidade», afirmou.

Paulo Ramalho destacou igualmente o contributo dos agricultores para a coesão territorial, lembrando que muitas aldeias estariam desertas sem a presença de quem trabalha a terra.

A prevenção dos incêndios rurais foi outro dos aspetos salientados. Na sua perspetiva, a presença de agricultores e a gestão ativa dos terrenos agrícolas contribuem para reduzir o risco de incêndio, desempenhando uma função de interesse coletivo.

Neste contexto, defendeu que é necessário reconhecer economicamente os benefícios ambientais e territoriais proporcionados pela atividade agrícola.

«Temos que remunerar devidamente o nosso agricultor, não só por aquilo que ele produz […] mas também por serviços de ecossistema», sustentou.

Para Paulo Ramalho, estes serviços representam bens públicos que beneficiam toda a comunidade e cujo valor deve ser reconhecido, nomeadamente através de mecanismos de remuneração adequados.

Cooperativas são fundamentais para valorizar a produção e fixar jovens agricultores

Outro dos desafios identificados pelo Vice-Presidente da CCDR Norte prende-se com a valorização comercial dos produtos agrícolas, particularmente numa região caracterizada pelo minifúndio e pela predominância de pequenas explorações familiares.

Paulo Ramalho considerou que os agricultores da Região Norte produzem alimentos de elevada qualidade e diferenciados, mas enfrentam dificuldades para alcançar a dimensão e a capacidade de negociação necessárias à sua valorização no mercado.

A fragmentação da propriedade e a dispersão das parcelas agrícolas tornam, por isso, especialmente importante o reforço da organização coletiva da produção.

Neste âmbito, destacou uma medida recentemente lançada de apoio à capacitação das cooperativas, considerando que poderá contribuir para melhorar a organização dos produtores e a comercialização dos produtos agrícolas.

«As cooperativas e organizações de produtores são fundamentais para valorizar a produção dos nossos agricultores e fixarem agricultores e mais jovens no nosso território», afirmou.

O responsável defendeu, assim, uma maior capacidade de trabalhar em rede, ganhar escala e promover os produtos agrícolas regionais, criando condições para melhorar o rendimento das explorações e tornar a agricultura mais atrativa para as novas gerações.