A cultura do mirtilo tem registado um crescimento significativo em Portugal nas últimas décadas, com os produtores a apostarem agora em novas variedades que permitem prolongar a época de colheita e responder às exigências dos mercados.

Foi em Sever do Vouga, em 1990, que surgiu a primeira plantação experimental de mirtilos em Portugal. Desde então, a cultura conheceu uma forte expansão. Segundo dados avançados pelo presidente da Associação Nacional de Produtores de Mirtilo (ANPM) ao jornal PÚBLICO, a área dedicada à produção passou de apenas 43 hectares, em 2010, para 2.701 hectares, em 2025.
Sever do Vouga, reconhecida como a “capital do mirtilo”, continua a assumir um papel relevante nesta produção. Atualmente, os produtores da região estão a apostar em variedades mais tardias, permitindo alargar a janela de colheita até setembro.
A escolha de novas variedades procura também acompanhar as necessidades do mercado, nomeadamente através da produção de frutos mais firmes, crocantes e com maior capacidade de conservação, uma característica particularmente importante para a comercialização e exportação.
Exportação assume importância na cultura
França, Espanha e Países Baixos encontram-se entre os principais mercados de destino do mirtilo produzido em Portugal, demonstrando a importância da componente internacional para o desenvolvimento desta cultura.
A evolução registada ao longo dos últimos anos evidencia também o papel da inovação, da seleção varietal e da adaptação da produção às exigências dos consumidores e dos mercados para reforçar a competitividade das explorações agrícolas.
Num setor cada vez mais exigente, a capacidade de prolongar os períodos de produção, melhorar a qualidade e conservação dos frutos e encontrar novos mercados pode contribuir para acrescentar valor à produção.
Valorizar a produção nacional, inovar e conquistar mercados é criar um futuro para a agricultura portuguesa.
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Cultura do mirtilo em Portugal
Crédito da foto: Maria Matos