Os preços dos alimentos frescos em Portugal subiram 42,4% na última década, um aumento bastante superior à inflação acumulada de 24,8%. Os ovos e a carne registaram as maiores subidas, num período marcado pelo agravamento dos custos da energia, dos fertilizantes e de outras matérias-primas essenciais à produção agrícola.

Os preços dos alimentos frescos em Portugal aumentaram 42,4% desde 2015, ultrapassando significativamente a evolução geral dos preços no consumidor. Os dados constam de uma análise publicada no Boletim Trimestral da Economia Portuguesa, de outubro de 2026, elaborado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI) e pela Direção-Geral da Economia, divulgada pelo Jornal de Negócios.
De acordo com o estudo, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) registou uma subida acumulada de 24,8% no período analisado. Contudo, a evolução dos preços dos produtos alimentares foi mais acentuada, sobretudo no caso dos alimentos não transformados, categoria que inclui carne, peixe, fruta e legumes.
Enquanto os preços dos alimentos transformados aumentaram 33,7%, os produtos alimentares não transformados registaram uma subida de 42,4%, evidenciando a maior pressão inflacionista sobre os alimentos frescos.
Ovos e carne lideram aumentos
Entre os produtos alimentares analisados, os ovos destacam-se com a maior subida de preços, atingindo 88,9% face aos valores praticados em 2015.
Segue-se a carne, cujos preços aumentaram 51,5% no mesmo período. Segundo a análise, esta categoria foi também a que mais contribuiu para a variação do índice de preços dos alimentos, seguida pela fruta e pelos frutos de casca.
A evolução dos preços da carne acompanhou, em parte, a tendência observada nos mercados internacionais. De acordo com o índice de preços da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os preços internacionais da carne aumentaram 27,4% no período em análise.
Energia e fertilizantes pressionam preços alimentares
O estudo identifica a evolução dos preços internacionais das matérias-primas, particularmente da energia e dos fertilizantes, como um dos fatores que ajudam a explicar o aumento mais acentuado dos preços dos alimentos frescos.
A pressão intensificou-se no período pós-pandemia, num contexto de recuperação da procura e de perturbações nas cadeias de abastecimento, agravadas posteriormente pela guerra na Ucrânia e pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente.
Estas circunstâncias tiveram repercussões nos custos de produção agrícola, nomeadamente nos combustíveis, fertilizantes, energia e outros fatores de produção, contribuindo para o aumento dos encargos suportados pelas explorações.
Aumento dos preços ao consumidor não significa maior rendimento para os agricultores
Apesar da subida expressiva dos preços dos alimentos, importa distinguir a evolução dos valores pagos pelos consumidores da remuneração recebida pelos produtores agrícolas.
O preço final dos alimentos resulta de diferentes fatores ao longo da cadeia de abastecimento, incluindo os custos de produção, transporte, transformação e distribuição. Por isso, o aumento dos preços nas prateleiras não se traduz necessariamente numa melhoria dos rendimentos dos agricultores.
Num contexto de custos de produção elevados e de crescente exigência dos mercados, a valorização da produção nacional e o reforço da competitividade das explorações agrícolas assumem particular importância.
Crédito da foto: Unsplash