A área dedicada aos cereais praganosos em Portugal diminuiu cerca de 77% entre 2004 e 2025. O país produz atualmente apenas 17% a 19% dos cereais que consome e, no caso do trigo, a produção nacional assegura somente cerca de 6% das necessidades.

Portugal mantém uma forte dependência externa no abastecimento de cereais, numa altura em que as tensões geopolíticas, as alterações climáticas e as perturbações no comércio internacional voltam a colocar a segurança alimentar e a capacidade produtiva dos países no centro do debate.
Segundo uma reportagem publicada pelo Expresso, a área dedicada aos cereais praganosos, como trigo, cevada e aveia, caiu cerca de 77% entre 2004 e 2025, situando-se atualmente em aproximadamente 77 mil hectares.
A redução traduz uma transformação profunda da agricultura portuguesa ao longo das últimas duas décadas e contribuiu para acentuar a dependência nacional das importações.
Portugal importa 94% do trigo que consome
A situação é particularmente evidente no trigo. Portugal produz apenas cerca de 6% do trigo que consome, o que significa que aproximadamente 94% das necessidades nacionais são asseguradas através de importações.
Considerando o conjunto dos cereais, a produção nacional permite satisfazer apenas 17% a 19% das necessidades do país, sendo o arroz a exceção, com Portugal a apresentar níveis de produção suficientes para assegurar o consumo interno.
Esta dependência torna o abastecimento nacional mais exposto a eventuais perturbações nas cadeias internacionais. De acordo com especialistas citados pelo Expresso, num cenário extremo de bloqueio dos portos ou dos principais corredores marítimos utilizados nas importações, as reservas de trigo existentes permitiriam assegurar o abastecimento durante apenas duas a três semanas.
Produção e comércio mundial sob pressão
O contexto internacional acrescenta novos fatores de incerteza. Guerras e tensões geopolíticas, fenómenos meteorológicos extremos e alterações climáticas estão a exercer pressão sobre algumas das principais regiões produtoras e sobre as rotas utilizadas no comércio mundial de cereais.
Para um país fortemente dependente das importações, estas alterações reforçam o debate em torno da necessidade de encontrar um equilíbrio entre a participação nos mercados internacionais e a manutenção de uma capacidade produtiva nacional que contribua para a resiliência do sistema alimentar.
Estratégia +CEREAIS procura reduzir dependência externa
A reportagem destaca também a Estratégia +CEREAIS 2025-2030, que procura contrariar o declínio da produção cerealífera portuguesa e contribuir para a redução da dependência externa.
Para além da sua importância para o abastecimento alimentar, a produção de cereais desempenha um papel relevante na ocupação e gestão do território, na manutenção da atividade agrícola e no combate ao abandono das áreas rurais.
Num contexto internacional marcado por crescente incerteza, o reforço da capacidade produtiva e da resiliência da agricultura portuguesa assume, assim, particular importância para a segurança alimentar e para a coesão dos territórios.
Leia a reportagem completa do Expresso:
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Crédito da foto: Pixabay