O Diretor-Geral da AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, Firmino Cordeiro, participou no debate “Nova Geração, Novo Regadio”, integrado no XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, em Beja, onde defendeu uma maior valorização dos agricultores e melhores condições para a entrada e permanência dos jovens no setor.

O Diretor-Geral da AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, Firmino Cordeiro, participou, no dia 1 de outubro, no XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, que decorre em Beja, entre 30 de setembro e 2 de outubro, sob o tema “Água para Produzir o Futuro”.
Organizado pelo COTR – Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio, o Congresso reúne especialistas, agricultores, empresários e representantes de diferentes entidades do setor para analisar e debater o presente e o futuro da gestão da água e do regadio em Portugal.
Firmino Cordeiro integrou o debate “Nova Geração, Novo Regadio”, dedicado à renovação geracional na agricultura e aos desafios que condicionam a entrada, o investimento e a permanência dos jovens no setor.
Entre as questões abordadas estiveram a rentabilidade das explorações agrícolas, o acesso ao investimento, a burocracia, a valorização da profissão e a capacidade do setor para atrair uma nova geração de agricultores.
Durante o debate foi destacado que apenas 11% dos projetos apoiados pelo PDR e PEPAC no Alentejo são de jovens agricultores, sendo Beja a região alentejana com maior número de projetos de jovens agricultores e a olivicultura a atividade com maior expressão.
Valorizar quem produz
Na sua intervenção, Firmino Cordeiro chamou particularmente a atenção para a necessidade de valorizar o trabalho dos agricultores e garantir uma remuneração mais justa para quem produz.
Neste contexto, o Diretor-Geral da AJAP lançou uma proposta concreta no sentido de aumentar a transparência sobre a distribuição de valor ao longo da cadeia:
“Devia haver a coragem de colocar na embalagem, no rótulo dos produtos, o preço pago ao agricultor.”
Para a AJAP, a sustentabilidade da agricultura não depende apenas da capacidade de produzir, mas também da existência de condições económicas que permitam aos agricultores obter uma remuneração adequada pelo seu trabalho e pelo investimento realizado nas explorações.
Firmino Cordeiro alertou igualmente para a necessidade de reforçar o peso da agricultura nas políticas públicas, defendendo que o setor deve ter capacidade para mobilizar fundos da Coesão. Salientou ainda que inverter o atual ciclo exigirá tempo, investimento e uma estratégia consistente para o setor.
Na sua intervenção, recordou também que, segundo o mais recente Eurobarómetro, 95% dos europeus consideram a agricultura e as zonas rurais importantes para o futuro da Europa, evidenciando a relevância que os cidadãos atribuem ao setor agrícola e aos territórios rurais.
Água e renovação geracional: dois desafios para o futuro
Num congresso dedicado ao tema “Água para Produzir o Futuro”, o debate “Nova Geração, Novo Regadio” permitiu evidenciar a relação entre dois dos grandes desafios estruturais da agricultura portuguesa: garantir disponibilidade e uma gestão eficiente da água para produzir e criar condições para que uma nova geração possa entrar, investir e permanecer na agricultura.
O acesso à água e ao regadio assume particular importância num contexto marcado pelas alterações climáticas, pela necessidade de aumentar a eficiência na utilização dos recursos e pela crescente exigência de assegurar a sustentabilidade e competitividade das explorações agrícolas.
Paralelamente, a renovação geracional continua a exigir respostas ao nível do acesso à terra, do financiamento, da rentabilidade, da simplificação administrativa e da valorização económica e social da profissão de agricultor.
Para a AJAP, responder de forma articulada a estes desafios é determinante para assegurar a continuidade da atividade agrícola e a vitalidade económica e social dos territórios rurais.