Vindimas arrancam com aumento da produção num contexto de queda do consumo de vinho

As vindimas começam a ganhar ritmo em várias regiões do país, numa campanha em que as perspetivas apontam para um aumento da produção de vinho em Portugal, mas que arranca num contexto particularmente desafiante para o setor, marcado pela redução do consumo mundial e pela alteração dos hábitos dos consumidores.

Das 14 regiões vitivinícolas portuguesas, apenas os Açores deverão registar uma diminuição da produção de vinho na campanha 2026/2027. O aumento esperado coloca novos desafios à fileira, sobretudo num momento em que o mercado mundial não acompanha a evolução da oferta.

O consumo mundial de vinho tem vindo a diminuir e o perfil dos consumidores está também a mudar. As gerações mais jovens consomem menos vinho e, quando o fazem, tendem a procurar vinhos brancos, estilos mais leves e produtos com menor teor alcoólico.

Portugal parte, contudo, de uma posição diferenciadora. O país é berço da Região Demarcada do Douro, a região demarcada e regulamentada mais antiga do mundo, e possui uma enorme diversidade de castas autóctones, um património que contribui para distinguir os vinhos portugueses nos mercados internacionais.

Situação particularmente difícil no Douro

No Douro, a nova campanha começa num cenário especialmente complexo. Em quase 30 anos, o Vinho do Porto perdeu cerca de um terço do mercado mundial, enquanto os baixos preços pagos pelas uvas têm colocado muitos viticultores sob forte pressão, com valores que, em diversos casos, não permitem cobrir os custos de produção.

A situação poderá tornar-se ainda mais difícil nesta campanha, perante a perspetiva de um aumento da produção na ordem dos 25%. Muitos produtores enfrentam dificuldades em encontrar compradores para as suas uvas, aumentando a preocupação relativamente ao escoamento da produção e à sustentabilidade económica das explorações.

Perante este cenário, a fileira vitivinícola enfrenta o desafio de valorizar a produção e assegurar uma remuneração justa aos viticultores, garantindo condições para a continuidade das explorações. Em paralelo, será necessário acompanhar as mudanças nos hábitos de consumo, apostar na inovação e na diversificação da oferta e reforçar a capacidade de conquistar novos mercados.

Num setor com um importante peso económico, social e cultural no país, preservar a viticultura portuguesa passa também por garantir condições para que quem cuida das vinhas e produz as uvas possa continuar a fazê-lo.